CAPOEIRA DE ANGOLA : MEMORIA VIVA DOS ANCESTRAIS




Arte. Jogo. Luta. Expressão corporal. Improviso e musicalidade.
Com uma saudável preocupação com a preservação de suas raízes históricas, a Capoeira resgata o saber ancestral dos velhos mestres. Através dela, se aprende a enfrentar os próprios limites, a flexibilizar crenças e convicções, a ter disciplina e paciência.
A Angola é um “estilo”, uma das formas de se “jogar” a capoeira. É uma capoeira jogada mais lentamente, menos agressiva, com golpes mais baixos e com maior utilização do apoio das mãos no chão. Os seus golpes são realizados com um maior efeito estético pela exploração do equilíbrio e da flexibilidade do capoeirista.

A velocidade e outras características do jogo da capoeira estão diretamente relacionados com o tipo de “toque” executado pelo berimbau. Existe aquele denominado “toque de Angola” que tem a particularidade de ser lento e compassado.



A capoeira Angola e a capoeira Regional (ritmo agressivo, jogo duro) estão fortemente impregnadas de conteúdo histórico, e não se excluem. Complementam-se e fazem parte de um mesmo universo cultural.
A capoeira, arte e dança brasileira, tem suas origens na África, no país de Angola com o povo Bantú. Era uma dança onde seus praticantes não se agarravam, apenas usavam os pés como defesa e ataque contra seus oponentes.
No Brasil, os primeiros escravos chegaram à Bahia por volta de 1549, depois de uma tentativa fracassada de escravizar os índios. Chegados nos porões de navios, povos africanos de distintas regiões partiam da capital de Angola pela “Porta do Nunca Mais”. Quem saia daquela terra nunca mais retornava. Na chegada ao Brasil eram vendidos como mercadorias, suas etnias misturadas, dificultando assim sua comunicação lingüística.


A capoeira foi então criada para libertar os escravos das fúrias dos capitães do mato ou capatazes de fazendas, para fortalecer laços e resguardar a sua identidade.
Em 1860, quando entrou em vigor a Lei do Ventre Livre (liberdade aos filhos de escravos nascidos no Brasil), a capoeira começa a ganhar um caráter multirracial, sendo praticada pelas massas em ruas, becos e largos, deixando as fazendas de café e os engenhos de açúcar, ganhando as periferias das cidades mais importantes como Salvador (com 70% da sua população negra), Rio de Janeiro e Recife.
Em 1890 teve sua pratica proibida pelo então presidente da República, o militar Marechal da Fonseca (o primeiro presidente do Brasil depois do Império de Don Pedro I e II), entrando assim no Código Penal. O articulo denominado: “Dos Vadios e Capoeiras” proibia de “fazer nas ruas e praças publicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação de capoeiragem” sob pena de prisão celular de dois a seis meses. Era considerado circunstância agravante pertencer o capoeirista a algum bando ou malta. Aos chefes ou cabeças era imposto o castigo em dobro. No caso de reincidência a pena aplicada ia de um a três anos, e se o capoeirista for estrangeiro, era deportado depois de cumprir a pena.

 

MESTRE PASTINHA


Filho de uma negra baiana e um comerciante espanhol, quando menino conheceu um africano (Tio Bentinho) que lhe iniciou na capoeira ao vê-lo perder numa briga de rua.
Aos vinte anos entra para a marinha mercante e foi aprendiz de marinheiro por dez anos e a sua volta, em 1941, cria o Centro Esportivo de Capoeira Angola no pelourinho, centro histórico de Salvador.
Hoje se encontra na Bahia o maior de seus discípulos, o mais antigo capoeirista do mundo: Mestre João pequeno de Pastinha.






 

 

CAPOEIRA ANGOLA EM JERI



No mês de Março de 2003, em Teresina, Valdenor Silva de Almeida (Mestre Piauhy) cria o Centro de Instrução de Capoeira Angola (CICAP) com a finalidade de resgatar os valores afro indígenas e desenvolver a cultura popular.
Ao longo do seus 21 anos dedicado à capoeira Angola (11 deles ocupado no ensino) o Mestre Piauhy fez dela sua filosofia de vida, buscando tornar todos mais conhecedores das heranças africanas e indígenas e preservando a cultura brasileira.

 



Em Jericoacoara a sua sede fica na rua das dunas , próximo a Mama África, e tem uma filial na Pousada Solar da Malhada (Fone Daniela 88-36692094)
Abertas a pessoas de todas as idades, raças y crenças, as aulas incluem a prática da capoeira, samba de roda, tambor de crioula do Maranhão: segundas, quartas e sextas, duas horas com 30 minutos de toques de berimbau.
O CICAP é uma entidade sem fins lucrativos, cuja meta é ser guardião e memória viva dos ancestrais.


Valdenor Silva de Almeida, conhecido na roda de capoeira como Mestre Piauhy, é ludovicense, nascido na cidade de São Luis de Maranhão. Inicio-se na capoeira em 1988 com o Mestre Joaquim na cidade de Picos.
Contato: cicapangola@hotmail.com




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PARQUE NACIONAL DE JERICOACOARA




O Parque Nacional, criado pelo governo federal, é uma Unidade de Conservação Ambiental cujo objetivo básico é a preservação da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais.

A área protegida é de aproximadamente 200 km2, tendo como limite leste a praia do Preá e como limite oeste a vila de Guriú. A fiscalização e o controle e feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-BIO) que mantém um escritório e uma equipe no local.

Dentro dos limites do Parque não é permitido: a construção de estradas, a caça, a pesca predatória, o trafego de veículos sobre as dunas, o serrote e na praia da Malhada, jogar resíduos sólidos ou esgoto no mar, rio e lagoas, derrubar ou queimar qualquer tipo de vegetação, escalar a Pedra Furada, estabelecer barracas ou estruturas fixas, deixar lixo, retirar pedras, conchas o areia das praias.

Toda a área (8850 há) são campos de dunas moveis (80%) e Jericoacoara só não foi soterrado porque tem o Serrote que atua como barreira de proteção natural, impedindo que a areia avance sobre a vila.

“O maior problema é o transito de veículos dentro do Parque, afirma ALDISIO LIMA DE OLIVEIRA FILHO, chefe interino do ICM-BIO”.

Para diminuir a degradação ambiental foi realizadas a sinalização e demarcação com placas e balizadores nas trilhas autorizadas. As três trilhas: do Preá, Lagoa Grande e Mangue Seco/Guriú, ligam as respectivas entradas do parque à vila de Jericoacoara.

“O trafego de veículos afeta também à fauna –diz Aldisio, biólogo formado na Universidade Federal do Ceará-. Por a questão do barulho dos carros e a vibração na areia, as tartarugas marinhas já não se acercam para desovar. O ultimo desove registrado foi entre Mangue Seco e Guriú em 2007 porque a praia aí é mais calma”.


Jericoacoara, sofre ameaças varias:

# População crescente e fluxo desordenado de turistas.
# Precariedade na política sanitária (esgotos despejados no subsolo contaminando o lençol freático).
# Poluição sonora e visual.
# Especulação imobiliária.
# Falta de critério nas construções descaracterizando o local.
# Grande número de veículos automotores de visitantes.
# Impunidade aos agressores e responsáveis pelo crime ambiental.
# Número insuficiente de funcionários para a fiscalização.
# Ausência de programas de educação ambiental consistente para a população fixa e flutuante da vila.
# Desarticulação entre os atores sociais afetados com o “desenvolvimento.”

A responsabilidade individual, somada à disposição da comunidade em participar das discussões dentro do Conselho Comunitário e a elaboração de projetos para um bem comum, podem ajudar nas ações que reforcem o turismo sustentável em Jericoacoara.

Contamos com a força do reconhecimento internacional e a graça deste lugar “abençoado por Deus... e bonito por natureza”.




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KITESURF : Loucos pelo vento




Transição. Back loop. Ãngulo de ataque. Adrenalina.
Não é Top Gun. Não há Academia Aérea nem caças F 16. Não glorificam a guerra. Eles, apenas, se deslizam sobre a água em uma prancha puxados pelo Kite. Interagem com o vento, esquecem da terra, juntam o céu e o mar. Não agridem a natureza, sonham que são livres, desafiam os próprios limites.

 

Aumentam seus níveis de dopamina, endorfina e serotonina por causa da radicalidade.

 


Já foi registrado um salto com sete segundos de duração e há registros em vídeo de Robby Naish, lenda viva no Windsurfe, saltando a mais de 20 metros de altura com sua pipa.

Curiosamente, a pipa já era utilizada, há séculos, na pesca. Era amarrada nas pontas das redes e servia para ajudar os pescadores na hora do arrastão. Apenas em meados dos anos 90 que passou a ser aproveitada como ferramenta de lazer. O primeiro protótipo foi criado pelos irmãos franceses Legainoux, chamando-o de fly surf system.

No Brasil a primeira aparição do esporte foi em Florianópolis, em 1996, quando um francês estava de passagem e resolveu apresenta-o aos brasileiros, que gradativamente se tornaram verdadeiras “feras” com manobras e saltos radicais, estando á frente de ranking mundiais.
Hoje, os ventos alísios que batem na costa, fazem do Estado de Ceará um dos melhores lugares do mundo para a prática de Wind e Kitesurf.

As ondas médias durante todo o ano possibilitam sua prática, sendo a região um pólo onde se realizam etapas de campeonatos profissional e amador deste esporte.
Graças aos ventos constantes, as praias do Litoral Oeste (Cumbuco, Taíba, Paracuru, Flecheiras, Icaraí de Amontada, Preá e Jericoacoara ganham o colorido e beleza das velas e pranchas, pois são etapas certas de campeonatos Norte, Nordeste, Brasileiro e Mundial destas modalidades esportivas).

Jericoacoara possui atletas de renome que tem participado de competições a nível nacional e internacional como o “Pepe” Kleber Pinho. Morador de Jeri, ele já participou na seleção Nacional representando o Brasil na categoria Freestyle no maior campeonato internacional: o PKRA (Professional kitesurf Riders Association)





 

Informações do local




Jericoacoara é o paraíso dos esportes de vento, já que na sessão dos ventos ele está garantido todos os dias !!! “O kitesurf esta crescendo a cada ano: os equipamentos são cada vez mais seguros e fáceis de utilizar e é um esporte que possibilita viajar com os equipamentos (pouco peso) e não requer de lugar especial para deixá-los, podendo ser guardados na própria pousada ou hotel”, explica Andréa Rovere de Aloha Kiteschool.
“Para se iniciar no kite é necessário fazer um curso com instrutores experientes, já que se requer de conhecimentos técnicos para a segurança pessoal. Depois de ter aprendido, é muito fácil á continuidade no esporte, só requer da Vontade de velejar!!!


Jacques, 73 anos, Rider Aloha

 

Geralmente quem começa e gosta ...não para mais !!! porque o Kite da sensação de Liberdade, com radicalidade , desafiando os nosso limites e a própria natureza. Ainda disso a galera tem a possibilidade de fazer maravilhosos Downwinds (percurso de vários quilômetros), aonde o Kite será seu meio de transporte ecológico e natural!!! Temos também a possibilidade de Surfar as ondas com o Kite wave !!!... e para os mais arriscados o Freestyle ou Wake-style, fazendo manobras iradas !!!”.

A sessão de ventos (ventos Alísios do Nordeste) começa a mediados de julho e vai até fim de janeiro. Sendo garantido o vento entre 15 a 35 Knts todos os dias de agosto a dezembro. “Nessa época, diz a Andréa, para quem vem com equipamento próprio, aconselhamos trazer kites pequenos (7 a 9 metros), já que a media de vento alcança os 30Knts (tendo dias de ate 42)”.

A direção do vento varia de acordo a praia:

* Mangue Seco e Guriu : a tão só 10 minutos de Jeri... quilômetros de praia livre com vento Side shore e água flat !!! Possibilidade de Downwind desde Jeri . Como essa praia forma parte do Parque Nacional não tem construções, então levar proteção solar porque da pra a gente se torrar!!!!!

* Jeri : vento Side-off (só para kiters experientes, e tendo especial atenção com a prancha...já que é fácil perdê-la !!..vantagem: água flat !! e podemos ir a PÉ .. è possível, também, pagar pelo serviço de resgate oferecido pelas escolas operantes na área).

* Preá : vento Side-on . Muito bom com maré baixa para iniciantes. Com a maré alta... boas ondas para kite wave. Possibilidade do inesquecível Downwind para Jeri , passando pela Pedra Furada.


Downwinds:
A opções são variadas: com percursos de 2 a 150 km por dia !!!!!!!!!!!!!
Jeri-Mangue seco (4km)/ Jeri -Guriu (8km)/ Jeri- Tatajuba (30km)/ Preá –Jeri (12 km) / Jeri- Camocim (70 km) / Jeri – Barra grande (150 km)

A sessão de Chuvas acontece fora do período de vento, entre fevereiro e Maio. Nessa época não temos garantido o vento, mas numa semana podemos ter entre 2 a 3 dias com vento. A potencia e menor, vai de 10 a 20 Knts , então si vai trazer o seu equipamento, desta vez opte pelos Kites de maior tamanho. Si quer fazer aulas, tem que vir disposto a dedicar-se ao kite, esperando o melhor momento do dia para aproveitar o vento. Não se podem planificar as aulas com horário certo, vamos a depender da vontade do vento !!! Mas temos uma grande vantagem para Iniciantes: com as chuvas se forma uma linda lagoa (“dos Homens”) justo detrás das Dunas a 5 minutos da vila, água doce e sem ondas...o paraíso de quem quer subir na prancha pela primeira vez !!! Recomendação especial: para quem quer fazer o curso básico nessa época, fora da alta temporada, recomendamos dedicar 7 a 10 dias de estada em Jeri, tempo que nos permitira ter os dias de vento necessários para completar as horas do curso completo.





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