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Hoje é .... quem olha para você
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Editorial: Cultura e Preconceito
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Nascemos com espírito comunitário. Crentes que a
pluralidade vive-se, ensina-se, aprende-se.
Einstein disse certa vez: “É mais fácil desintegrar
um átomo do que desfazer um preconceito.”
Assim, o falso conceito de cultura ligada à intelectualidade,
confundida com erudição, a condena a viver à
sombra do mito que a escraviza.
Entanto, cultura é o “complexo dos padrões
de comportamento, das crenças, das instituições,
das manifestações artísticas transmitidas
coletivamente e típicas de uma sociedade”. Um conjunto
de símbolos compartilhado pelos integrantes de determinado
grupo social, que lhes permite atribuir sentido ao mundo e às
suas ações.
Toda cultura é dinâmica pois a pessoa humana está
sempre interagindo com o mundo ao seu redor, criando e alterando
esses símbolos.
Por benção, o preconceito não é algo
“natural”, o que tornaria seu combate inútil,
mas sim um comportamento aprendido. Conseqüentemente, uma
realidade passível de mudança.
Devemos valorizar o convívio na diferença. Reconhecer
as qualidades e os méritos dos outros. Agir em respeito
e exigir respeito. Tentar de ser mais flexíveis, solidários,
tolerantes.
Enquanto pensamos em nos mesmo, só em nós, nos tornamos
vazios e egoístas, sem vocação de entendimento.
Jericoacoara On-line nasceu para somar forças e atuar em
conjunto. Na defesa irredutível de uma comunidade plural.
Agente ativo e oportuno nele processo de transformação
da cidade. Alertas, com a capacidade de avaliar criticamente se
necessário e exigir dos responsáveis à qualidade
e melhora dos serviços públicos.
Com base na experiência vivida e compartilhada é
o povo, são os moradores de Jeri quem reconhecem com mais
clareza as potencialidades e fragilidades do seu lugar. O cuidado
e proteção do meio ambiente natural, a economia
dos recursos não renováveis associado ao respeito
das tradições, leis e costumes locais, irão
tornar possível o desenvolvimento duradouro e sistemático
de Jericoacoara como destino turístico internacional. O
turismo é uma ferramenta de aproximação dos
povos, compreensão e incentivo à paz.
O Jornal têm como objetivo central o resgate da memória
histórica -como a faculdade própria do homem de
conservar e reproduzir as suas idéias-, e a difusão
da cultura local em seus matizes e diversidade.
“Cuidar-Conscientizar-Cooperar” é muito mais
do que um slogan. É contribuição planetária.
A luz, a sinalização certa para adiar a destruição
de um mundo que, aos poucos, está caindo-se a pedaços.
A globalização abre fronteira mas não corrige
as desigualdades nem poupa exclusão.
Proteger o patrimônio natural que é de todos (sem
nacionalidades nem xenofobia) e ajudar-nos na tarefa é
a “grande” tarefa. Uma declaração de
princípios, um jeito de olhar a vida. A maneira em que
a nossa existência ganha significação.
O caminho é longo, sinuoso e requer perseverança.
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Alejandra Traverso
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Jericoacoara: preservar é
preciso!
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Fotos: Fabrício Zago
Outro dia, um amigo perguntou
que motivo havia me levado a Jericoacoara. Confesso que levei
alguns segundos para buscar na memória o ponto de partida
de minha viagem, mas logo lembrei de uma reportagem lida há
cerca de cinco anos. Ao ver uma fotografia da Duna do Pôr
do Sol, fiquei impressionado com tamanha beleza e prometi a mim
mesmo que um dia assistiria ao espetáculo do sol se pondo
no mar, ao vivo.

Fotos: Fabrício Zago
Os meses passaram e, no início de 2009, eis que me deparo
novamente com uma reportagem de Jeri numa banca de Brasília,
a um mês do início de minhas férias. Até
aquele instante, o destino ainda era incerto, mas não demorou
muito e já estava com as passagens compradas.
Saí de Brasília com a expectativa de encontrar uma
vila parada no tempo, livre do barulho de veículos, bem
cuidado e preservado. A expectativa era imensa: jamais havia estado
em um ponto tão distante do Brasil, localizado próximo
à linha do Equador. Antiga vila de pescadores e considerada
uma das dez mais belas praias do mundo pelo jornal Washington
Post na década de 90, Jeri vive hoje um processo de urbanização
que ameaça acabar com a tranqüilidade que a torna
tão especial.
Camionetes, buggys, motos e carros de passeio já disputam
espaço com os pedestres em suas poucas ruas de areia. Apesar
de placas de advertência, esses veículos circulam
livremente pela praia, poluindo o meio ambiente e colocando em
risco a segurança dos turistas.
Nos sete dias em que permaneci em Jeri, não vi qualquer
agente público que pudesse impedir a desordem. E olha que
estamos falando de um vilarejo cercado por um Parque Nacional.
Também flagrei um dos postos do Ibama (agora Instituto
Chico Mendes) na entrada do parque fechado. Segundo um morador,
há semanas nenhum fiscal aparecia ali.
Sem fiscalização, veículos trafegavam por
todos os lados. A caminho da praia do Preá, ouvi relatos
de que a circulação de veículos na enseada,
com o passar dos anos, afastou tartarugas marinhas que procuravam
o local para depositar seus ovos.
Se tudo isso já preocupa, o que dizer do projeto de construção
de um aeroporto internacional em Jijoca, cidade a qual Jeri pertence?
O vilarejo está preparado para suportar os impactos dessa
obra? Penso que moradores, agentes públicos e empresários
deveriam repensar a forma como se dá o desenvolvimento
local. Será ele sustentável, a ponto de gerar benefícios
para a população e preservar o meio ambiente para
as gerações futuras?
O maior patrimônio de Jeri não são suas pousadas
de frente para o mar, restaurantes aconchegantes e passeios radicais
de buggy. Apesar de alguns problemas de gestão e falta
de capacitação, a estrutura para atendimento ao
turista é eficiente e de qualidade para uma ex-vila de
pescadores, mas o que diferencia esse paraíso de outros
do litoral brasileiro ainda é sua rica biodiversidade.
Sem ela, Jeri está fadada a se tornar só mais um
ponto turístico.
Apesar de todos os problemas, Jericoacoara ainda é um lugar
incrível, repleto de magia, daqueles que nos fazem pensar
em deixar tudo pra trás e começar uma vida nova
por lá. Tive a sorte de conhecer o paraíso na estação
chuvosa, que transforma radicalmente a região: lagoas nascem
em meio às dunas, agora acompanhadas de vegetação
rasteira de verde exuberante e onde brotam flores de várias
cores.

Fotos: Fabrício Zago
Há muitos paraísos
no mundo ameaçados de desaparecer em razão da exploração
humana desenfreada e insustentável. Não podemos
permitir que o vilarejo entre para essa lista, afinal, estaremos
cometendo uma injustiça contra as futuras gerações
e contra a própria natureza, que foi de uma generosidade
imensurável com a região.

Fabrício Zago, 31,
é jornalista e mora em Brasília.
É formado pela Universidade Estadual de Londrina, no Paraná,
e atualmente trabalha na Informe Comunicação e Marketing.
Esteve em Jericoacoara em março de 2009.
Contato: fabriciozago.bsb@gmail.com
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Fabrício Zago
(Colunista convidado)
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Nas redes: A tecnologia e
a comunicação contemporânea
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Umberto Eco afirmou, numa conferência da Academia Italiana
para os Estudos Superiores, na América: "Penso
freqüentemente que as nossas sociedades irão, em breve,
dividir-se (ou já estão divididas) em dois tipos
de cidadãos: os que apenas assistem à televisão,
que receberão imagens pré fabricadas e, portanto,
definições pré-fabricadas do mundo, sem nenhum
poder de escolher criticamente o tipo de informação
que recebem, e os que sabem trabalhar com o computador e que serão
capazes de selecionar e elaborar informação".
Hoje, a Internet é a grande aliada das comunicações
contemporâneas.
Neste início de milênio, a tecnologia se consolida
como protagonista das relações expressando-se por
meio de cabos de fibra-ótica, satélites, bancos
de dados e muitas imagens. Mais do que nunca, à tecnologia
associa-se rapidez em nome da suposta necessidade de informação.
E é exatamente essa velocidade e seu conseqüente excesso
de comunicações que esvaziam as possibilidades de
formalizações entre as esferas do público
e do privado nas cidades. Dada a desintegração de
diversas instituições modernas, como a igreja, o
estado e a escola, a mídia ocupa, muitas vezes, o lugar
da tomada de partido. Nem por isso, ela escapa de um permanente
paradoxo crítico e ideológico no qual, por exemplo,
um mesmo número de jornal, pode oferecer, em páginas
diferentes, versões antagônicas sobre os fatos apurados.
A mídia mundializada, como a Internet, a TV a cabo leva
o consumidor a uma viagem incessante. Nesse quadro, o real plural
relativiza os valores, dando uma sensação de transitoriedade.
A energia juvenil deixa de ter como projeto a reivindicação,
o futuro, a história. Ela se manifesta e se esgota no instante
– festas, chats, trabalhos temporários – e
não carece de uma tradução política.
Nesse contexto, os jornais e os livros são cada vez menos
lidos pelos jovens que preferem a Internet com seus foros de discussão
e outras buscas de encontro.
Por outro lado, assistimos cada vez mais ao espetáculo
dos clubes de fidelização que tribalizam os consumidores
em categorias mais “personalizadas”.
Já sabemos que o cidadão contemporâneo reage
contra o que lhe incomoda comprando coisas. No consumo configuram-se
as mais diversas tribos no cotidiano, entrelaçando uma
imensa teia sem fim. Esse panorama instala a atualidade em redes
que se sobrepõem a outras redes, todas emaranhadas, mas
cada uma mantendo alguma motivação própria
para existir.
O sentimento de insegurança e a denúncia geral da
decadência do conceito de Estado-nação levam
os cidadãos a se darem conta que a crise é totalmente
planetária. A poluição, a AIDS, as bombas,
o aquecimento global são elementos que permeiam todo o
globo e que fazem parte da vida de cada cidadão consumidor.
Mais do que nunca, individualidade e coletividade se misturam
seja para viver o horror dos dias de hoje seja para aproveitar
o conforto e a vida mais longa possibilitados pelas tecnologias.
Em todos esses processos a comunicação é
palavra-chave.
As tecnologias e os novos agrupamentos sociais representam esferas
de
poder que se entrecruzam em redes das mais variadas espécies.
De fato,
elas já são, muitas vezes, as protagonistas das
questões geopolíticas
locais e globais.
As novas tecnologias fazem parte das linhas de pesquisa de um
importante número de cursos de graduação
e de pós-graduação no Brasil e no mundo.
Isso se deve, entre outros fatores, à evidente revolução
trazida pela informática ao cotidiano das cidades, provocando
mudanças radicais nos conceitos organizacionais de comunicação
e nos relacionamentos interpessoais.
No caso de Jericoacoara, as possibilidades de integração
social e desenvolvimento sustentável por meio da Internet
podem representar um grande avanço nos exercícios
de cidadania da população local e de seus visitantes.
Daí, a importância de se valorizar iniciativas como
o lançamento deste jornal on line.
Segundo a UNESCO "as diferenças
se estabelecerão entre as
sociedades capazes de produzir conteúdos e as que se limitarão
a
receber informações".

Ricardo Ferreira Freitas é doutor em sociologia pela Universidade Paris V
(Sorbonne) e professor adjunto da Faculdade de Comunicação Social da
UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
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Ricardo Ferreira Freitas
(Colunista convidado)
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