Um mix de sabores do mundo
chamado Jericoacoara!!!
Jericoacoara não
é só uma das mais belas praias do mundo,
com o melhor "point" de velejo do Brasil e pousadas
charmosas. É também um lugar onde se come
maravilhosamente bem !!!
Falar da culinária de Jeri é pensar numa
mistura única de sabores, pessoas e descobertas.
As pessoas chegam aqui com sua "bagagem" gastronômica
e a aprimoram dia a dia naturalmente...
Os beneficiados somos nós que nos deliciamos com
pratos bem feitos, ingredientes inusitados e sabores únicos!!!
E a eventual falta de algum ingrediente não é
obstáculo para não fazermos este ou aquele
prato; o improviso muitas vezes abre portas para grandes
descobertas !!!
Mas, na verdade as descobertas não são só
gastronômicas, mas pessoais também. Dentre
as descobertas pessoais podemos citar; as pessoas que
se virão cozinhando por necessidade e descobriram
que gostavam da coisa, as que já gostavam de cozinhar
e passaram a dedicar-se intensamente ou ainda as que tão
somente apreciam boas refeições. Todas estas
pessoas tem algo em comum: gostam de estar entre amigos,
trocando experiências e saboreando boa comida.
Jeri nos proporciona
bons encontros: dos que chegam diariamente, dos que vem
e que vão, dos que ficam mais que outros, dos que
deixam sua marca. E foi em um desses encontros de Jeri
(novembro 2007) que conheci uma pessoa muito especial
que se tornou amiga chamada Gigi Gorestein; a qual me
presenteou com um dos melhores livros lidos por mim: Comer,
rezar, amar. Escrito
por Elizabeth Gilbert, é uma viagem fabulosa por
3 países tão diferentes; vivências
e prazeres únicos. O livro é contado em
108 contos; referindo-se ás 108 contas da japa
mala (terço indiano para meditação)
e relata a história de uma mulher que entrega-se
de "corpo e alma" durante um período
de sua vida aos prazeres de comer bem na Itália,
autoconhecimento, devoção e meditação
na índia e o equilíbrio entre o prazer mundano
e a transcendência divina na Indonésia; e
o melhor o encontro inesperado de um grande amor.
.
A
seguir alguns trechos do livro, onde na Itália
Elizabeth descreve suas refeições e o prazer
em fazê-las: "a
primeira refeição que fiz em Roma não
foi nada de mais. Foi só uma massa caseira (spaghetti
carbonara) com uma porção de espinafre servido
com alho.... Também comi uma alcachofra, só
para provar; os romanos tem muito orgulho se suas alcachofras.
Depois houve um outro acompanhamento surpresa trazido
pela garçonete, de graça - uma porção
de flores de abobrinha fritas com um pedaço de
queijo cremoso no centro (preparadas com tanta delicadeza
que as flores provavelmente nem perceberam que não
estavam mais no pé). Depois do espaghetti provei
a vitela. Ah, e também bebi uma garrafa do vinho
tinto da casa, sozinha. E comi um pouco de pão
morno, com azeite e sal. De sobremesa, tiramisú."
"Descasquei
os ovos e arrumei-os em um prato ao lado dos sete talos
de aspargos (tão finos e crocantes que nem precisavam
ser cozidos). Pus no prato também algumas azeitonas,
os quatro pedaços de queijo de cabra que havia
comprado na véspera na formaggeria mais embaixo
na rua e duas fatias de um salmão rosado, gorduroso......
Durante um tempo muito longo, sequer consegui tocar na
comida, porque aquele era um almoço magistral,
uma verdadeira expressão da arte de se virar."
".... minha primeira noite na Sicilia..... sem sombra
de dúvida, a refeição mais sensacional
que já comi na Itália toda. É um
prato de massa, mas de um formato que nunca vi antes.....
recheadas com um purê quente e aromático
feito de crustáceos, polvo e lula, servidas como
uma salada quente misturadas a mexilhões frescos
e fatias de legumes variados, tudo nadando em um molho
á base de azeite de oliva e caldo de frutos do
mar. Seguido por um coelho de panela com tomilho."
Ou
quando na Índia ela cita momentos no ashram (comunidade
que promove a evolução espiritual de seus
membros): "..... irritações mesquinhas
que costumavam enlouquecê-lo não representam
mais um problema, enquanto antigas infelicidades colossais,
que você outrora suportava por hábito, agora
não serão mais toleradas sequer durante
cinco minutos. Relacionamentos venenosos são arejados
ou descartados, e pessoas mais solares, mais benéficas,
começam a entrar no seu mundo."
E quando finaliza o livro se auto descrevendo depois de
uma intensa jornada de quase de um ano: “penso na
mulher em que me transformei recentemente, na vida que
estou vivendo agora, e em quanto eu sempre quis ser esta
pessoa e viver esta vida, liberta de toda a farsa de fingir
ser qualquer outra pessoa que não eu mesma. Penso
em tudo que suportei antes de chegar aqui, e pergunto-me
se fui eu - quero dizer, esse eu feliz e equilibrado,
que agora cochila no convés de um barco pesqueiro
indonésio - quem empurrou para frente o meu outro
eu, mais jovem, mais confuso e com mais dificuldade, durante
todos estes anos difíceis."
Voltando a Jeri; o livro em muitos momentos faz lembrar
muito da história de algumas pessoas que moram
em Jeri; pessoas que jogaram tudo para o alto para se
aventurar em uma nova vida por algum tempo ou quem sabe
por toda a vida, pessoas que arriscaram toda uma situação
estável para viverem um sonho, sem pensar nas conseqüências
prováveis e improváveis de optar por rumos
diferentes dos tradicionais. E
com certeza estas pessoas não se arrependem de
ter tido esta "coragem", porque muitas descobriram
o seu verdadeiro eu.
Imperdível!!! Mas para aqueles que não gostam
de ler; podem esperar até 2011 quando será
lançado o filme "Comer, rezar, amar",
estrelado por Julia Roberts.
E para fecharmos com algo muito especial, que tal brigadeiro
de capim santo? Um ingrediente / planta facilmente encontrado
em Jeri; também chamado de capim limão (não
é erva cidreira), muito utilizado em chás
e infusões com propriedades analgésicas
e terapêuticas que ainda faz parte desta receita
que vai surpreender muitas pessoas.
Brigadeiro
de Capim Santo (receita adaptada do Restaurante Capim Santo de
São Paulo, apresentada a mim pela amiga Bel Villela)
200 ml de leite
1 punhado de capim santo (15 a 18 folhas)
1 lata de leite condensado
1 colher de sopa anteiga sem sal
1 barra pequena de chocolate branco (170 / 180grs.)
Bater o leite com o
capim santo no liquidificador, coar e juntar o líquido
verdinho com o leite condensado, a manteiga e o chocolate
em pedaços. Levar ao fogo baixo e mexer, mexer,
mexer até engrossar. Fazer os brigadeiros e passar
no açúcar ou pular esta parte e comer de
colher!!!
Axé é
uma saudação religiosa usada no Candomblé,
que significa energia positiva. É o poder de
realização através da força
sobrenatural. O culto aos orixás, originário
dos negros africanos, mantém-se vivo até
hoje. Eles são deuses considerados como espíritos
da natureza e provenientes de elementos fundamentais:
terra, água, fogo e ar.
O sincretismo religioso Afro-Brasileiro (amálgama
de doutrinas ou concepções heterogêneas)
deu-se com a fusão das práticas e das
crenças dos negros, do branco e do índio.
Devoção
TRAILER DO
FILM
O documentário
“Devoção”, dirigido por Sérgio
Sanz, de “Soldado de Deus” (2004), abre uma
discussão sobre a religiosidade brasileira e apóia
a sua linha-mestra na idéia de fé. Ele exibe,
em 85 minutos, depoimentos de historiadores, pesquisadores,
autoridades do candomblé e freis; e opiniões
de devotos do candomblé e do catolicismo.
O diretor enriquece o documentário com imagens feitas
em terreiros, contendo danças, rituais de adoração
e sons de batuque para o orixá Ogum. A celebração
de missas e festas, em meio a orações, e cânticos
religiosos em homenagem a Santo Antônio também
são mostradas no filme de Sanz. O longa-metragem,
filmado no Convento de Santo Antônio e em terreiros
no Rio de Janeiro, enfatiza a fé existente em cada
uma das crenças, independente das diferenças
ou similaridades.
“Devoção” expõe a associação
que há entre os santos da Igreja Católica
e os orixás. Santo Antônio, o santo mais popular
do catolicismo, representado no candomblé por Ogum,
o mais importante orixá africano, é a grande
estrela do filme. Projetar o santo padroeiro a um orixá
do candomblé foi estratégia necessária
dos escravos africanos para adotar as práticas obrigatórias
da religião dos seus dominadores e, ao mesmo tempo,
manter a devoção às entidades do candomblé.
Eles foram obrigados a se render à fé católica,
sobretudo a Santo Antônio. A partir da astúcia
dos escravos, nasceu a herança religiosa brasileira.
Os Orixás e seus
dias de comemoração (sincretismo Afro-Católico):
Orixá
Sincretizado
Como:
Comemoração
Exu
Santo
Antônio
13
de Junho
Iansã
Santa
Bárbara
4
de Dezembro
Iemanjá
Nossa
Senhora dos Navegantes
15
de Agosto
Nanã
Nossa
Senhora de Sant'Anna
26
de Julho
Obaluayê
São
Roque
16
de Agosto
Ogum
São
Jorge
23
de Abril
Oxalá
Jesus
Cristo
25
de Dezembro
Omulu
São
Lázaro
17
de Dezembro
Oxossi
São
Sebastião
20
de Janeiro
Oxum
Nossa
Senhora da Conceição
8
de Dezembro
Xangô
São
Jerônimo
30
de Setembro
OS
ORIXÁS
Os Orixás
não são Deuses como muitas pessoas podem
conceber comoem outras religiões, mas sim Divindades
de um plano astral superior criadas por um único
Deus: Olorun. A característica de cada Orixá
os aproxima dos seres humanos, pois eles se manifestam
através de emoções como nós.
Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são
passionais. Cada orixá tem ainda seu sistema
simbólico particular, composto de cores, comidas,
cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos,
dias da semana e até horários.
Quase todos os Orixás tiveram uma curta passagem
pelo nosso mundo, após fatos heróicos
ou divinos, encantaram-se e retornaram ao Orun (céu),
deixando para nós segredos e ensinamentos,
encurtando a ligação do material ao
espiritual.
Em nossa religião, é fundamental a integração
com a natureza, pois quanto maior o contato com a
natureza, maior será seu desenvolvimento, sua
energia, seu axé.
Exu:
o mensageiro, o ponto de contato entre os Orixás
e os seres humanos. Exu, Senhor dos caminhos, Orixá
mensageiro e vencedor de demandas. Por estar mais
próximo da realidade humana é considerado
o Orixá das causas materiais. Veste-se de vermelho
e preto e seu elemento é o fogo
Oxalá:
o senhor da força, o senhor do poder da vida.
Oxalá é considerado o Pai de todos os
orixás. É o mais velho e o primeiro
a ser criado. É responsável pela criação
do mundo e dos seres humanos. É o Orixá
da agricultura, que traz as chuvas e que fecunda os
campos. Sua festa ligada ao início do ano agrícola
costuma ser em agosto e setembro, e inclui a renovação
da água do templo e a lavagem dos objetos de
culto.
Oxum:
É considerado a morada mística do Orixá.
Dona da água doce e, por extensão, de
todos os rios. Portanto seu elemento é a água,
água das lagoas não pantanosas e, principalmente,
as cachoeiras onde costumam serem-lhe entregues as
comidas, rituais votivas e presentes de seus filhos-de-santo.
Oxum é conhecida por sua delicadeza. As lendas
adornam-na com ricas vestes e objetos de uso pessoal.
Orixá feminino, sua imagem é quase sempre
associada a maternidade, sendo comum ser invocada
com a expressão "Mamãe" Oxum.
Gosta de usar colares, jóias e perfumes. Ela
estimula a união matrimonial, e favorece a
conquista da riqueza espiritual e a abundância
material. Atua na vida dos seres estimulando em cada
um os sentimentos de amor, fraternidade e união.
Iemanjá:
Rainha do mar, Iemanjá é a grande mãe
do panteão umbandista. A palavra Iemanjá
vem de yeyé omo ejá, que significa mãe
cujos filhos são peixes. Diz a lenda que o
mar é salgado pelas lágrimas que Iemanjá
verteu por seus filhos que partiram. O mar, sua morada,
é o local onde costuma receber os presentes
e oferendas dos devotos. São extremamente concorridas
suas festas. É tradicional no Rio de Janeiro,
em Santos (litoral de São Paulo) e nas praias
de Porto Alegre a oferta ao mar de presentes a este
Orixá, tanto na data específica de sua
festa, como na passagem do ano. Rege as uniões,
os aniversários, as festas de casamento, todas
as comemorações familiares. É
o sentido da união por laços consangüíneos
ou não.
Iansã:
os ventos, chuvas fortes, os relâmpagos. Iansá
é a deusa guerreira, senhora dos ventos, das tempestades
e dona dos raios. É a mulher principal de Xangô.
Veste-se de vermelho, marrom escuro, e branco.
Xangô:
a força do trovão e o fogo provocado pelos
relâmpagos quando (diz uma lenda que "sem Iansã,
Xangô não faz fogo...”) chegam 'a Terra.
Ogum:
senhor dos caminhos; o desbravador dos caminhos; senhor
do ferro. Ogum é o Orixá guerreiro. Deus
da guerra. Seu domínio são as retas dos
caminhos, as lutas e o trabalho. Veste-se de azul escuro,
verde ou vermelho. Traz sempre sua espada pronta para
o ataque.
Oxossí:
o Orixá caçador, senhor da fartura
'a mesa. Oxossi é o protetor das matas, dos animais
da floresta e dos caçadores. Veste-se de verde,
azul turquesa e vermelho. Traz sempre o seu Ofá
(arco e flexa).
Ossãe:
o Orixá das folhas e, sem folhas, nada é
possível na Umbada ou no Candomblé; o dono,
preservador, das matas e florestas, das folhas medicinais,
das ervas de culto.
Obá:
representa a força da libertade. OBÁ, uma
das esposas de Xangô, Orixá do equilíbrio
e da justiça. Seu domínio são as
águas revoltas. Veste-se de laranja e amarelo,
portando espada e protegendo a orelha com um escudo.
Nanã:
senhora do lodo, das águas lodosas da junção
entre o rio e o mar, fonte de vida, e também senhora
da morte.
Obaluayê:
"O dono da Terra, o Senhor da Terra"; o Orixá
das doenças, senhor dos mortos (pois conta uma
lenda que Obaluayê foi o único Orixá
que dominou a morte, Iku); é aquele que tira a
doença, mas também aquele que dá
a doença.
Oxumaré:
é o Orixá do arco-íris, um dos pontos
de ligação entre o Aye (a Terra) e o Orun
(o Céu); também representa a fartura, o
bem estar.
Orixá, dentro do culto Umbandista
(de uma maneira geral) não são incorporados
(não se incorpora o fogo de Xangô, os ventos
de Iansã, as águas doces de Oxum ...). O
que se vê dentro dos vários terreiros, centros,
tendas etc, são os Falangeiros dos Orixás
(ou também conhecidos como encantados); ou seja,
Espíritos (não reencarnacionais) de grande
força espiritual (de grande Luz) que trabalham
sob as Ordens de um determinado Orixá.
Os Falangeiros são os representantes dos Orixás,
e, em muitos casos, a essência dos próprios
Orixas manifestada nos médiuns, pois sua força
é a emanação pura dos Orixás.
Santo é uma das denominações dadas
aos deuses ou espíritos, que também são
chamados de guias, orixás e entidades. Esses orixás
atuam “na terra” através dos médiuns.
Cada médium é “cavalo” de vários
santos. Os orixás são classificados da seguinte
forma: OXALÁ é o orixá maior. Não
utiliza nenhum cavalo, apenas comanda os outros orixás,
classificados em linhas. Cada linha com seu chefe e seus
subordinados se subdivide em SETE FALANGES. Existe, por
exemplo, na LINHA DE IEMANJÁ, uma falange comandada
por IANSÃ e outra por MAMÃE OXUM, duas entidades
femininas.
O Pai ou Mãe -de- Santo é o Chefe espiritual
do terreiro.
Mãe – pequena é a auxiliar do pai-de-santo
durante as sessões. É responsável
pela compra de itens rituais como velas, charutos, cachaça,
cigarros etc.
Os limites do terreiro não terminam, no entanto,
nesse sobrado. A mata, a cachoeira, a praia, a encruzilhada
e o cemitério são seus limites espaciais
máximos.
Cada um desses lugares é associado a um grupo de
orixás: a cachoeira a mamãe Oxum, a mata
aos caboclos, a praia a Iemanjá, a encruzilhada
a Exu.
Alejandra
Traverso
“Antigamente,
os orixás eram homens.
Homens que se tornaram orixás por causa de seus
poderes.
Homens que se tornaram orixás por causa de sua
sabedoria.
Eles eram respeitados por causa de sua força,
Eles eram venerados por causa de suas virtudes.
Nós adoramos sua memória e os altos feitos
que realizaram.
Foi assim que estes homens tornaram-se orixás.
Os homens eram numerosos sobre a Terra.
Antigamente, como hoje,
Muitos deles não eram valentes nem sábios.
A memória destes não se perpetuou
Eles foram completamente esquecidos;
Não se tornaram orixás.
Em cada vila, um culto se estabeleceu
Sobre a lembrança de um ancestral de prestígio
E lendas foram transmitidas de geração em
geração para
render-lhes homenagem".
Lendas Africanas dos Orixás