Viver nos tempos atuais, pelos quais passam
o planeta e a humanidade, é um verdadeiro desafio. Os tempos
nos convidam a refletir sobre o modo como estamos pensando e agindo
diante das experiências com as quais nos defrontamos. Com
o fenômeno da globalização, os fatos em todo
mundo cada vez correm mais rápidos e com maior repercussão.
O avanço, as criações e transformações
tecnológicas, exigem do homem, principalmente das gerações
mais velhas, um esforço de certa forma descomunal para
acompanhar tamanha acelerada rumo ao futuro...
As expectativas esperadas em torno da formação superior
qualificada, com capacitação numa área abrangente
de conhecimentos; as competições acirradas no mercado
de trabalho cada vez mais inseguro pelo caráter da não
efetivação do quadro de pessoal; a instabilidade
formada pelas mudanças constantes e imprevisíveis
em torno do mundo; a inconsistência e fragilidade das relações
afetadas pela aceleração dos eventos; a
desistência fugaz de permanecer, crescer e aprender a construir
com o outro um lugar comum; o medo paralisando a vontade de crescer,
de não obter o sonho, a realização tem gerado
nas pessoas o medo da incompletude.
Tudo isso, e muito mais, a todo momento está acontecendo,
está para acontecer; os fatos são contínuos,
simultâneos, e estão interconectados. O que se passa
num país afetará provavelmente os outros países
do planeta, e certamente causará mudanças na terra.
Não é de se admirar que muitas epidemias, doenças
mentais que não se manifestavam anteriormente, agora surgem
causando males que levam à incapacidade de se relacionar,
de estar entre os outros de forma saudável e criativa,
produzindo e construindo juntos projetos de vida e trabalho. Doenças
essas que afetam a autoconfiança, a auto-estima, a criatividade
e a vontade de viver. Necessitamos de novos caminhos, necessitamos
de boas atitudes, verdadeiras e saudáveis, confortantes
e consistentes para resgatar a confiança, a esperança.
A meditação foi hábito de monges de distantes
monastérios.
Hoje essa prática trazida
ao Ocidente pelos mesmos monges e gurus do Oriente, está
cada vez mais presente no dia a dia das pessoas que buscam formas
mais saudáveis de lidar com a vida. Mesmo sendo recomendada
por médicos e terapeutas, existem ainda pessoas que olham
com estranheza essa forma milenar de autoconhecimento. Entretanto,
a meditação pode ser praticada por todos que se
fizerem disponíveis.
Uma atitude meditativa pode ocorrer em qualquer lugar, a qualquer
hora, independente de termos uma religião; precisamos ter
apenas disciplina e determinação.
Meditar não
é refletir nem tão pouco esvaziar a mente, mas encontrar
o silêncio interno que habita em nós e conectarmos
com a divina sabedoria. O silêncio desperta a essência
do ser e nos coloca em comunhão com o universo; desperta
a capacidade criadora que emana da alma e nos tornamos mais suaves,
felizes e criativos.
Com a meditação acalmamos nossa mente, nosso corpo
e nossa alma. Estamos muitas vezes acorrentados por sofrimentos
e apegos mesquinhos, vivendo inconscientemente.
Arrastados pelo passado, com medo de se lançar na vida
e confiar na Providência Divina que rege o Universo, vivemos
presos em padrões mentais de impossibilidades, porém,
podemos encontrar a paz dando-nos a oportunidade de vivenciarmos
o verdadeiro amor. Dividida entre o passado e o futuro, a mente
nunca está no momento presente.

Meditar é também
estar cônscio do momento presente, deixar as preocupações
se tornarem estímulos para soluções de problemas
e viver o aqui e agora. Sem problemas para solucionar? Que vamos
fazer das nossas vidas? Apenas nos repetir a cada dia...
Deepak Chopra, médico indiano organizador da Associação
de Medicina Ayurvédica, diz que ao meditar a pessoa se
conecta com o campo da pura energia, inteligência e consciência.
Trazemos a sabedoria para nossa vida e nos aperfeiçoamos
a cada momento. A meditação deve ir do instante
que você acorda até o minuto em que a sua mente mergulha
no sono. Aos poucos, você amplia essa atenção
a tudo o que faz: andar, alimentar-se; as mínimas e grandes
ações que fazemos, ou até mesmo a não-ação,
ou seja, o aquietar-se.
O objetivo não é conseguir meditar duas horas por
dia, mas tentar tornar a vida uma meditação. Isso
significa poder viver qualquer experiência que a vida diária
lançar à sua frente e não perder o contato
com aquele lugar de quietude; assim diz Ian Graham, xamã
escocês e terapeuta de grupos.
Não se trata de um estado de transe. Se o preço
da paz fosse à perda da consciência e o preço
da serenidade, a falta de vitalidade e de vivacidade, então
não valeria à pena. É exatamente o oposto.
Nesse estado de conexão interior, ficamos muito mais alerta.
Estamos presentes por inteiro. Meditar é uma atividade
da consciência mental. Para isso basta disciplinar a mente
e trazê-la à compreensão da realidade, confrontando
de forma consciente e criativa os embates que nos sujeitamos quando
não somos “donos” da nossa própria mente
e ficamos à deriva dos sentimentos conflitantes e estímulos
externos. Quando estamos disponíveis e confiantes a enfrentar
os nossos medos, inseguranças, experiências que geram
situações opostas e que nos confundem, então
estaremos também com a mente aberta, receptiva a encontrar
a verdade de todas as coisas.
A meditação
é, evidentemente, de grande ajuda para dissipar as ilusões
que criamos e vivenciamos de forma inconsciente. As ilusões
e fantasias que se manifestam muitas vezes em nossas vidas são
na maioria criadas e sustentadas por sentimentos inconscientes,
que instalam a inquietação e a desagregação
da mente com a sua integração com o todo.
Quando estamos em paz, preenchidos pelo sentimento de unidade
com o Todo, em tudo o que acontece, enxergamos somente a simplicidade.
Simplicidade é, de fato, a única coisa que existe,
como a visão da criança.
Essa tarefa não é fácil, pois vivemos numa
sociedade em que se supervalorizam os bens de consumo, os padrões
sociais convencionados e repetitivos que transformam os seres
humanos cada fez mais em modelos que a mídia elege como
o ideal.
Dentro desse contexto, se torna praticamente um grande e muitas
vezes doloroso desfio a se enfrentar, já que estaremos
na contra mão da maioria com os quais compartilhemos experiências
cotidianas e certamente nos confrontaremos com opiniões,
crenças, e realidades bem diferentes. No entanto, algo
novo nos reanima, novas tendências de pensamentos já
apontam para mudanças de paradigmas e maior aceitação
das diferentes formas de pensar, de viver, enfim, de ser e estar
no mundo. Não há coisa alguma que seja essencialmente
má; há apenas coisas que não estão
em seu lugar. Coloque cada coisa em seu verdadeiro lugar, e você
obterá um mundo harmonioso.
Sendo assim, precisamos acreditar
num novo momento da humanidade. Desenvolver atitudes positivas,
ação correta e não-violência para conosco,
para com nossos irmãos em evolução, e para
com o meio ambiente e o planeta de forma geral; integrar-se numa
consciência cósmica de amor pela vida, de respeito
pela natureza e pelos outros ao nosso redor, apontará provavelmente
um caminho de saída para os conflitos atuais da humanidade.
Esse cuidado não deverá ser só com os de
nossa casa, nossa clã-família, mas também
para com a comunidade vizinha, do bairro, da cidade, assim por
diante, num pensamento global de união e bem estar para
todos os povos, nossos irmãos planetários. Temos
o poder criador de nos tornarmos seres felizes, pois temos a capacidade
de entender o grande plano reservado para nós aqui na Terra
e para além dela...
Um movimento novo vem ocorrendo nessa era de Aquarius, percebemos
cada vez mais que fazemos parte de uma família global em
busca da paz.

O tempo de Aquarius vem nos
convidando a desfrutarmos de uma vida mais saudável e significativa,
buscando maneiras de nos tornarmos mais úteis à
comunidade. Portanto, entregamos à nova consciência
o desejo de paz e prosperidade para a humanidade futura... as
crianças.

Jacinta Maria Siebra
(Psicóloga)