PLANETA AZUL
CAMPANHA VERDE


EDITORIAL
POR : ALEJANDRA TRAVERSO


A INVASÃO FOLCLÓRICA
POR : MANUELLA DE GREGORIO


LEVEZA DA MENTE
POR: JACINTA SIEBRA

 

 

 

PLANETA AZUL CAMPANHA VERDE














 






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EDITORIAL: QUESTÃO DE FE


“Eu conheço Oxalá, Jeová e o deus Buda
mas nesse momento eu não sei
qual dos três que me ajuda”.


Não existe religião ou culto que seja puro. O sincretismo religioso (amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas) é um fenômeno bastante comum no Brasil. Já era usado desde a antiguidade como um instrumento de auto defesa para proteger uma determinada cultura religiosa. Os índios e os escravos eram obrigados pelos padres jesuítas a aceitar á imposição da Fé católica. Os africanos se viram obrigados a não praticar os rituais do candomblé, já que era proibida a prática de outra religião que não fosse o catolicismo. Neste período, o candomblé foi visto pela maioria dos brasileiros como bruxaria e reprimido pelas autoridades policiais. Os negros faziam associações entre os santos da Igreja Católica e os seus orixás para camuflar seus costumes religiosos. No ritual dissimulado, os escravos adoravam os santos católicos quando, na verdade, estavam adorando suas próprias entidades, mantendo acesas suas crenças e rituais.

Primitivas. Fetichistas. Mágicas. As religiões afro-brasileiras são um fenômeno de sincretismo caracterizado pela combinação de diferentes traços étnicos e culturais, no qual se encontram traços africanos associados a traços católicos, espíritas e indígenas.
Igualmente desde os primórdios os homens acreditavam que os fenômenos naturais, as chuvas, as trevas, o calor, o frio, a vida e a morte, eram controladas por deuses e espíritos capazes de habitar as rochas, as árvores ou os rios, sendo que cada um deles possuía uma função diferente do outro. Oferendas, canções, danças, sacrifícios e magia era o preço para receber a sua benevolência.
O culto aos orixás, originário dos negros africanos, mantém-se vivo na Bahia até hoje. Eles são deuses considerados como espíritos da natureza e provenientes de elementos fundamentais: terra, água, fogo e ar.


Crenças e superstições são formas de tentar controlar o acaso e tem sempre uma relação com algo mágico. Para afugentar o medo ou ao menos para controlar esse sentimento é que as pessoas nos apegarmos a talismãs ou a rituais. Dito popular diz que se não faz bem, mal não faz. Por benção, “o homem não enxerga as coisas como elas são, mas, sim, como ele é.” As crenças não são lógicas. Crença é, apenas, um assunto de fé.

Alejandra Traverso


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A INVASÃO FOLCLÓRICA


De repente, se ouviu gritos pela cidade. Para quem estava tirando um cochilo depois do almoço, a situação foi ainda mais inusitada. Só se viam pessoas correndo com redes de pescar e pedaços de pau na mão, gritando, e na frente uma 4x4 com grade vazia na traseira. Era meio-dia e a cidade toda evacuava para deixar a comitiva de policiais e caçadores sabe-se-lá-do-quê passarem em direção à praia, como se procurassem um monstro ou algo assim. Ninguém sabia a que se tratava tamanha confusão até alguém dizer em um alto-falante: seres folclóricos invadiram a cidade, peço-lhes que se retirem às suas casas. A polícia já está tomando providências. Aí é que a cidade se agitou. Pensando se tratar de uma brincadeira, circo ou algo do tipo, todos seguiram o caminho dos policiais, e teve até os que se aventurassem a fazer um atalho e ajudar na busca.

Os mais inteirados do assunto folclore excluíram as opções que provavelmente não poderiam fazer mal algum no momento, como o boto cor-de-rosa (que, se tivesse arranjado algum meio para chegar ao local, mesmo não tendo nenhum rio, só aprontaria à noite no forró) e a Índia Vitória Régia, que tem como o único mal as tendências suicidas e que já virou flor há tempos. Sendo assim, os responsáveis pela caçada resolveram se dividir em dois grupos: o que iria para a parte de cima da vila, procurar entre as dunas e o serrote as criaturas mais traquinas que agem em terra, como o Saci Pererê - que a essa hora já devia estar entrançando as crinas dos cavalos de passeio - e o que iria para a praia procurar as criaturas que vivem na água, como a Sereia Iara - que provavelmente estaria entoando cânticos sobrenaturais e atraindo os velejadores e surfistas para o fundo do mar.

Ao chegar à praia, algo estranho foi avistado. Por que haviam pegadas de criança vindas da direção da duna em pleno meio-dia, com o sol a pino? Pegadas não podiam ser confiáveis dado que as de cavalo tanto poderiam ser de um eqüino qualquer ou da Mula-sem-cabeça, mas as pegadas humanas vinham da duna eram instigantes e podiam indicar que tinham encontrado o primeiro ser: Curupira, que ao tentar despistar o povo com seus pés virados, correu em direção ao Mangue Seco, para que pensassem que tinha feito o trajeto contrário. Foram caçá-la.

No mar viam-se pranchas e velas abandonadas, e a única providência que se pôde tomar para capturar a Sereia Iara foi que 10 homens com redes e cordas mergulhassem para procurar a sedutora ninfa. As mães corriam para proteger suas crianças da Cuca, que devia estar faminta querendo encher seu caldeirão. As D-20s pararam de seguir para Jijoca, com medo da Mulher de Branco que estaria na estrada em seu vestido longo, pedindo carona.

Nessa correria toda, mal percebiam que se aproximava o pôr-do-sol e que nada fora encontrado até então. Talvez não tenham visto que, sentada numa pedra assistindo o sol de pôr, a Caipora fumava seu cachimbo tranqüila, molhando os pés na água do mar.


MANUELLA DE GREGORIO




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A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DA MENTE


Viver nos tempos atuais, pelos quais passam o planeta e a humanidade, é um verdadeiro desafio. Os tempos nos convidam a refletir sobre o modo como estamos pensando e agindo diante das experiências com as quais nos defrontamos. Com o fenômeno da globalização, os fatos em todo mundo cada vez correm mais rápidos e com maior repercussão.

O avanço, as criações e transformações tecnológicas, exigem do homem, principalmente das gerações mais velhas, um esforço de certa forma descomunal para acompanhar tamanha acelerada rumo ao futuro...

As expectativas esperadas em torno da formação superior qualificada, com capacitação numa área abrangente de conhecimentos; as competições acirradas no mercado de trabalho cada vez mais inseguro pelo caráter da não efetivação do quadro de pessoal; a instabilidade formada pelas mudanças constantes e imprevisíveis em torno do mundo; a inconsistência e fragilidade das relações afetadas pela aceleração dos eventos; a desistência fugaz de permanecer, crescer e aprender a construir com o outro um lugar comum; o medo paralisando a vontade de crescer, de não obter o sonho, a realização tem gerado nas pessoas o medo da incompletude.

Tudo isso, e muito mais, a todo momento está acontecendo, está para acontecer; os fatos são contínuos, simultâneos, e estão interconectados. O que se passa num país afetará provavelmente os outros países do planeta, e certamente causará mudanças na terra.
Não é de se admirar que muitas epidemias, doenças mentais que não se manifestavam anteriormente, agora surgem causando males que levam à incapacidade de se relacionar, de estar entre os outros de forma saudável e criativa, produzindo e construindo juntos projetos de vida e trabalho. Doenças essas que afetam a autoconfiança, a auto-estima, a criatividade e a vontade de viver. Necessitamos de novos caminhos, necessitamos de boas atitudes, verdadeiras e saudáveis, confortantes e consistentes para resgatar a confiança, a esperança.

A meditação foi hábito de monges de distantes monastérios.

Hoje essa prática trazida ao Ocidente pelos mesmos monges e gurus do Oriente, está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas que buscam formas mais saudáveis de lidar com a vida. Mesmo sendo recomendada por médicos e terapeutas, existem ainda pessoas que olham com estranheza essa forma milenar de autoconhecimento. Entretanto, a meditação pode ser praticada por todos que se fizerem disponíveis.

Uma atitude meditativa pode ocorrer em qualquer lugar, a qualquer hora, independente de termos uma religião; precisamos ter apenas disciplina e determinação.

Meditar não é refletir nem tão pouco esvaziar a mente, mas encontrar o silêncio interno que habita em nós e conectarmos com a divina sabedoria. O silêncio desperta a essência do ser e nos coloca em comunhão com o universo; desperta a capacidade criadora que emana da alma e nos tornamos mais suaves, felizes e criativos.

Com a meditação acalmamos nossa mente, nosso corpo e nossa alma. Estamos muitas vezes acorrentados por sofrimentos e apegos mesquinhos, vivendo inconscientemente.
Arrastados pelo passado, com medo de se lançar na vida e confiar na Providência Divina que rege o Universo, vivemos presos em padrões mentais de impossibilidades, porém, podemos encontrar a paz dando-nos a oportunidade de vivenciarmos o verdadeiro amor. Dividida entre o passado e o futuro, a mente nunca está no momento presente.


Meditar é também estar cônscio do momento presente, deixar as preocupações se tornarem estímulos para soluções de problemas e viver o aqui e agora. Sem problemas para solucionar? Que vamos fazer das nossas vidas? Apenas nos repetir a cada dia...
Deepak Chopra, médico indiano organizador da Associação de Medicina Ayurvédica, diz que ao meditar a pessoa se conecta com o campo da pura energia, inteligência e consciência. Trazemos a sabedoria para nossa vida e nos aperfeiçoamos a cada momento. A meditação deve ir do instante que você acorda até o minuto em que a sua mente mergulha no sono. Aos poucos, você amplia essa atenção a tudo o que faz: andar, alimentar-se; as mínimas e grandes ações que fazemos, ou até mesmo a não-ação, ou seja, o aquietar-se.

O objetivo não é conseguir meditar duas horas por dia, mas tentar tornar a vida uma meditação. Isso significa poder viver qualquer experiência que a vida diária lançar à sua frente e não perder o contato com aquele lugar de quietude; assim diz Ian Graham, xamã escocês e terapeuta de grupos.

Não se trata de um estado de transe. Se o preço da paz fosse à perda da consciência e o preço da serenidade, a falta de vitalidade e de vivacidade, então não valeria à pena. É exatamente o oposto. Nesse estado de conexão interior, ficamos muito mais alerta. Estamos presentes por inteiro. Meditar é uma atividade da consciência mental. Para isso basta disciplinar a mente e trazê-la à compreensão da realidade, confrontando de forma consciente e criativa os embates que nos sujeitamos quando não somos “donos” da nossa própria mente e ficamos à deriva dos sentimentos conflitantes e estímulos externos. Quando estamos disponíveis e confiantes a enfrentar os nossos medos, inseguranças, experiências que geram situações opostas e que nos confundem, então estaremos também com a mente aberta, receptiva a encontrar a verdade de todas as coisas.

A meditação é, evidentemente, de grande ajuda para dissipar as ilusões que criamos e vivenciamos de forma inconsciente. As ilusões e fantasias que se manifestam muitas vezes em nossas vidas são na maioria criadas e sustentadas por sentimentos inconscientes, que instalam a inquietação e a desagregação da mente com a sua integração com o todo.

Quando estamos em paz, preenchidos pelo sentimento de unidade com o Todo, em tudo o que acontece, enxergamos somente a simplicidade. Simplicidade é, de fato, a única coisa que existe, como a visão da criança.


Essa tarefa não é fácil, pois vivemos numa sociedade em que se supervalorizam os bens de consumo, os padrões sociais convencionados e repetitivos que transformam os seres humanos cada fez mais em modelos que a mídia elege como o ideal.

Dentro desse contexto, se torna praticamente um grande e muitas vezes doloroso desfio a se enfrentar, já que estaremos na contra mão da maioria com os quais compartilhemos experiências cotidianas e certamente nos confrontaremos com opiniões, crenças, e realidades bem diferentes. No entanto, algo novo nos reanima, novas tendências de pensamentos já apontam para mudanças de paradigmas e maior aceitação das diferentes formas de pensar, de viver, enfim, de ser e estar no mundo. Não há coisa alguma que seja essencialmente má; há apenas coisas que não estão em seu lugar. Coloque cada coisa em seu verdadeiro lugar, e você obterá um mundo harmonioso.

Sendo assim, precisamos acreditar num novo momento da humanidade. Desenvolver atitudes positivas, ação correta e não-violência para conosco, para com nossos irmãos em evolução, e para com o meio ambiente e o planeta de forma geral; integrar-se numa consciência cósmica de amor pela vida, de respeito pela natureza e pelos outros ao nosso redor, apontará provavelmente um caminho de saída para os conflitos atuais da humanidade. Esse cuidado não deverá ser só com os de nossa casa, nossa clã-família, mas também para com a comunidade vizinha, do bairro, da cidade, assim por diante, num pensamento global de união e bem estar para todos os povos, nossos irmãos planetários. Temos o poder criador de nos tornarmos seres felizes, pois temos a capacidade de entender o grande plano reservado para nós aqui na Terra e para além dela...

Um movimento novo vem ocorrendo nessa era de Aquarius, percebemos cada vez mais que fazemos parte de uma família global em busca da paz.

O tempo de Aquarius vem nos convidando a desfrutarmos de uma vida mais saudável e significativa, buscando maneiras de nos tornarmos mais úteis à comunidade. Portanto, entregamos à nova consciência o desejo de paz e prosperidade para a humanidade futura... as crianças.


Jacinta Maria Siebra
(Psicóloga)




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